Under the sea

•outubro 3, 2009 • 3 Comentários

Mandarim2

Ninguém vai parar no Sulawesi por acaso. Ok, em algum canto dos seus infindáveis 202 mil quilômetros quadrados há de haver uma praia espetacular, um vilarejo parado no tempo, uma floresta habitada por tribos e animais selvagens (e há). Mas o que leva a maioria dos turistas até esta ilha de 15 milhões de habitantes no extremo norte da Indonésia é o seu mar azul. Mais especificamente uma minúscula porção dele, que banha a ilhota de Bunaken, parte de um parque marinho nacional protegido pela ong WWF. Sozinha, esta região concentra mais de 300 tipos de corais e 3 mil espécies de peixes.

Tartaruga

Cleaner

Nudi1

Nudi2

Lion2

Ninguém reclama de madrugar todo dia às 6h30 da manhã em plenas férias para ver tudo isso de perto, ainda acordando. (Rachel)

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Em Bali é assim

•outubro 1, 2009 • 3 Comentários

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A população é de cerca de 3,5 milhões de pessoas, mas só existem quatro nomes típicos, independente do sexo: Wayan (sempre dado ao primeiro filho), Made (ao segundo), Nyoman (ao terceiro) e Putu (ao quarto). E quem tiver mais filho? Começa a contar tudo de novo – e Wayan passa a ser também o quinto, Made o sexto, Nyoman o sétimo e por aí vai.
 

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A cebolinha vermelha , além de temperar 100% dos pratos balineses, tem o poder extra de afastar os maus espíritos. O bebê chorou de noite? Cinco minutos depois ele vai estar inteiro coberto de fatias de cebola.
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1.124 quilômetros quadrados da ilha são completamente cobertos de campos de arroz – que ocupam até canteiros no meio da rua.
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Os balineses acreditam que todos os bebês que nascem na ilha são reencarnações de antigos balineses (afinal, os espíritos não cruzam os oceanos). Como a ilha é pequena, logo depois do nascimento um padre é consultado para identificar quem exatamente está se reencarnando. E o bebê geralmente começa a receber visitas diferentes da noite para o dia – antigos amigos e familiares do morto, que vão matar as saudades e bater papo. Às vezes acontece do filho ser também o pai do pai, e coisa do gênero.
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Embora praticamente 100% do resto da Indonésia seja muçulmana, Bali é um reduto hinduísta, com influências budistas e animistas  – o que facilitam bem a vida do turista, que não ofende ninguém por ir à praia de biquíni, por exemplo.

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Quando um balinês nasce, a sua placenta é separada, lavada e enterrada ao lado da sua casa. Reza a lenda que ela representa “quatro irmãos” que nascem junto com o bebê, e que o protegem pela vida toda. Todo santo dia, até a criança perder o primeiro dente de leite, são feitas oferendas no altar erguido exatamente no lugar onde a placenta foi enterrada.

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Balineses nunca conversam na hora das refeições. Não por uma questão de educação, mas para não despertar a ira dos espíritos que ganham vida durante a preparação dos alimentos.

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Um bebê balinês nunca encosta no chão antes dos três meses de idade. Antes disso, ele não está protegido do medo e das doenças. Uma importante cerimônia marca o momento.

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Os balineses acreditam que os seis vícios da humanidade – ciúme, raiva, desejo, confusão, alcoolismo e avareza “entram” na pessoa através dos seis dentes superiores da frente. Por isso todo mundo deve passar pela cerimônia do “preenchimento dos dentes” antes de se tornar adulto, quando um padre cerra e nivela os seis dentes para neutralizar, para toda a vida, os tais vícios. Fácil assim. (Rachel)

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Dia de festa

•setembro 29, 2009 • 2 Comentários

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A religião oficial de Bali é o hinduísmo, mas com fortes influências de budismo e animismo, o que explica a presença maciça de estátuas de Buda, a constante referência a Brahma, Visnu e Shiva (a tríade budista que representa a criação, a manutenção e a destruição) e a crença em espíritos e seres sobrenaturais, talvez o traço mais marcante da fascinante cultura balinesa.

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Uma das cerimônias mais importantes do calendário balinês é o Odalam, que acontece uma vez a cada seis meses e comemora o aniversário do templo. É um dos momentos mais esperados do ano, e centenas de balineses fazem peregrinação ao templo com oferendas especiais, que são depois compartilhadas pela família em clima de festa.

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Em alguns templos a celebração dura apenas um dia, mas as mais especiais duram muito mais. No templo de Gunung Kawi, ela dura seis dias ininterruptos. A última começou no dia 4 de setembro, noite de lua cheia. Por pura sorte estávamos lá no dia seguinte. (Rachel)

A maior onda

•setembro 14, 2009 • 3 Comentários

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Existem lugares que não são para ser amados ou odiados, aprovados ou desaprovados, testados ou avaliados. Existem lugares que são lendas.

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A Península de Bukit, no sul da ilha de Bali, é uma lenda.

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Há décadas uma multidão de peregrinos atravessa meio mundo entre os meses de abril e setembro com destino a praias como Ulu Watu, Padang Padang, Balangan. As grandes Mecas do surfe mundial, donas de corais desafiadores, águas transparentes e ondas gigantes ameaçadoras que quebram com perfeição na estação seca. 

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Não é preciso ser surfista e nem bom entendedor para entrar no clima. Uma boa massagem na areia ou uma cerveja Bintang gelada – acompanhamentos tão fundamentais quanto a prancha – já bastam. E todos os dias, no pôr do sol, a hipnotizante dança kecak do templo de Ulu Watu, no alto do penhasco debruçado sobre o mar, ajuda a garantir o efeito. (Rachel)

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Aula de português

•setembro 14, 2009 • 1 Comentário

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“Porra, mermão!”, grita a delicada balinesa de canga colorida para a amiga que chega na praia. “Porra, mermão!”, a outra responde, e as duas caem na gargalhada. No auge da temporada do surfe (agora), a praia de Ulu Watu tem uma concentração maior de brasileiros do que as praias do Rio de Janeiro. No sobe e desde da escadaria para o mar, o que mais se ouve é “e aí, beleza?”. E na maioria das vezes são balineses mesmo. Depois de uma longa massagem nas minhas costas no pôr do sol, a balinesa Christina fechou sua lojinha e se despediu sem mais nem menos: “tchau, Christina vambora”. Mas a coisa não pára por aí. Ao ouvir um brasileiro cumprimentar o outro, um balinês despertou do seu sono e berrou a plenos pulmões: “beleza? Beleza é b…ta cabeluda!” Então tá… (Rachel)

Pequim em dois tempos

•agosto 31, 2009 • 3 Comentários

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Nos últimos tempos, a China deu o start para uma corrida futurista sem precedentes. Se as grandes cidades do país já viram brotar arranha-céus a la Jetsons da noite pro dia, Pequim aproveitou a deixa das Olimpíadas do ano passado para perder o controle. O parque olímpico mais moderno que o mundo já viu inclui um estádio em forma de ninho de pássaro todo feito com uma estrutura curva de vigas de aço e um ginásio para esportes aquáticos revestido de um teflon azul super hi-tech que imita bolhas gigantes. Mas Pequim não parou por aí.

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No coração da cidade, bem ao lado da Praça da Paz Celestial, onde Mao Tsé-Tung, do alto de sua fotografia colossal, ainda reina soberano, o arquiteto francês Paul Andreu ergueu uma casa de espetáculos revestida de vidro e titânio que parece flutuar num lago gigante. Hotéis de luxo, incluindo um que se auto-intitula “sete estrelas”, pipocaram por todos os cantos, bem como galerias de arte super modernas (onde os artistas curiosamente vivem bem longe da censura do governo).

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E no coração do distrito financeiro, até a TV estatal ganhou casa nova: um complexo ousadíssimo projetado pelo mega arquiteto holandês Rem Koolhaas (cujo anexo acabou pegando fogo antes mesmo de ser inaugurado, durante as comemorações efusivas com fogos de artifício do ano novo chinês; mas isso é só um detalhe).

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Mas o que mais fascina em Pequim, curiosamente, é o oposto de tudo isso. A Cidade Proibida, em pleno centro, que abrigou durante séculos as dinastias Qing e Ming em seus 8.700 cômodos, até a queda do último imperador. O palácio de verão da família real, onde as mirabolâncias incluem um “barco” todo esculpido em mármore às margens do lago. As ruelas estreitas onde os velhinhos ainda pintam ideogramas à moda antiga, sob a luz das lanternas vermelhas, e as óperas tradicionais ainda encenadas nos teatros da cidade.

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Os mercados seculares de seda e porcelana. E, no pôr do sol, o Templo do Céu, onde os imperadores realizavam as cerimônias religiosas mais importantes, em meio a um dos jardins mais exuberantes da cidade.

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Os mesmos onde hoje mulheres e crianças envolvem os finais de tarde dourados com o desenho suave de longas fitas coloridas. (Rachel)

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O melhor pato de Pequim de Pequim

•agosto 31, 2009 • 6 Comentários

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Segundo o Marco, existe uma tática que raramente falha na hora de buscar um restaurante de comida boa e típica numa cidade turística: a categoria “restaurante com foto na parede”. De preferência foto de celebridade abraçada com o dono, fazendo tinino. De acordo com a teoria, isso geralmente é sinônimo de comida bem feita, farta e confortável. Essa foi a primeira surpresa boa que constatamos ao chegar no Da Dong. 

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A fila regada a vinho (de graça) era outro indício. Aquela pequena multidão não poderia estar ali à toa (ok, eis mais um comentário tosco, mas que faz algum sentido…).

Aos fatos: primeiro o pato chega inteiro e vai sendo fatiado delicadamente pelo mestre bem na sua frente. Na sequência um pratinho de fatias tenras e rosadas chega à mesa, coberto por uma camada de pele dourada, crocante e sequinha.

PatoPequim-Pato

Chegam então os acompanhamentos clássicos: uma cestinha de panquecas finíssimas e pratos com palitinhos de cebola e pepino, gengibre ralado, pasta de alho, açúcar e um molho denso, aveludado, agridoce e inesquecível.

PatoPequim-Acompanhamentos

Então a garçonete ensina para que serve aquele açúcar aparentemente despropositado depositado na sua frente: é para mergulhar as fatias de pele, que se transformam subitamente na coisa mais espetacular do universo mesmo para pele-fóbicos como eu. Bom, depois é só fazer como manda o figurino: rechear as panquequinhas com a carne e os acompanhamentos.

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Foi, sem dúvida, uma das melhores refeições desde que a viagem começou (e que a gente tratou de repetir outras cinco vezes nos dias seguintes). No final, deu pato até na conta. 🙂

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(PS: fotos Rachel Verano com sua camerica)