Uma vietnamita

Dao é pequena, magra e tem 27 anos, embora aparente 30 e tal. Foi criada na pequena Ninh Binh, mas vive sozinha na frenética Hanói, a capital de 3,5 milhões de habitantes, onde estuda inglês para um dia ser professora. Por um espaço de pouco mais de um quarto – que decora com fotos de jogadores famosos de futebol, Ronaldos incluídos – paga 7 milhões de dongs por mês, o equivalente a cerca de 900 reais. Dao gosta do Brasil. Acha que o carnaval do Rio deve ser a festa mais bonita do mundo, fica impressionada com o futebol do Roberto Carlos (que “é pequeno, mas tem muita agilidade”) e chora com dramas como o do filme “Era Uma Vez…”, de Breno Silveira, que foi um dos que mais gostou entre os que viu no ano passado. Dao é uma anfitriã de primeira. Logo nos socorre quando alguns locais tentam nos pedir – em vietnamita, claro – para trocar com eles de lugar no trem NH-1, entre Hanói e Ninh Binh. E explica toda a confusão, nos defendendo, para todo mundo que chega e quer os nossos novos assentos (que, fomos descobrir depois, não pertenciam aos locais que pediram a troca). Dao se desculpa pela confusão de quem vai entrando no trem, pelo barulho que os vizinhos de assento fazem, pela gritaria a cada nova parada. Antes de chegar ao nosso destino, ela avisa que é melhor irmos para a porta e desaparece. No meio da multidão eu consigo ver a Dao já no lobby da estação, procurando por nós. Nossos olhares se cruzam, então ela percebe que está tudo bem e vai embora. (Rachel)

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~ por amnasianow em junho 15, 2009.

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