Um birmanês

Ko Soe tem 22 anos, a pele curtida de sol e os dentes vermelhos de mascar noz de betel. Ganha a vida sulcando a terra seca e árida de Bagan com as rodas de madeira de suas charretes de número 43 e 158, puxadas pelas éguas Sein Mya, ou Diamante Safira, e Lucky Ma, ou Mrs. Lucky. Mora na vila de New Bagan desde 1989, quando o governo desapropriou a vizinha Old Bagan para transformar a cidade em seu quartel-general. Com um ritmo lento demais e um tom melancólico demais para estimular os animais, tem o dom de transportar seus passageiros para um mundo meio mágico, onde dezenas de templos dos séculos 11 e 12 vão brotando entre nuvens de poeira ao som do seu “omniááááá” (“anda”, em bom português). Desde que terminou o segundo grau, Ko Soe divide seu tempo entre os passeios de charrete e os livros. Seus pensadores favoritos: Dickens e Higgins. Ko Soe faz faculdade. De filosofia. Vestido com o seu longyi (a saia típica), de camisa de manga comprida e chicote em punho, ele sorri, cospe o suco da noz de betel que já está há horas na sua boca e me responde por que escolheu o curso: “because I like thinking.” (Rachel)

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~ por amnasianow em maio 5, 2009.

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