Um singalês

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Eram cinco da tarde na baía de Kogalla e eles eram seis, perfeitamente equilibrados em suas estacas fincadas nos corais, malabaristas com as suas varas finas e as camisas enroladas na cabeça para não molhar com as ondas fortes. O mar nem estava para peixe, mas as sacolas a tiracolo aos poucos iam se enchendo de sardinhas brilhantes. Um peixe, três rúpias (ou 6 centavos de real). Em dias bons, quatro horas no começo e no fim do dia garantem umas 500, 600 unidades – e um salário mais digno no bolso. Nimal Rathna observa tudo da areia. Tem 39 anos, uma filha de 14 e outra de 11. Seu pai perdeu uma perna no tsunami de 2004, que varreu toda a costa do Sri Lanka. Ele não tira o olho do mar, das varas, dos peixes. De repente saca do bolso a sua carteira profissional. “Eu também sei pescar assim”, diz ele, meio inquieto, cheio de ciúme dos protagonistas daquele fim de tarde. E aponta as suas duas estacas vazias, como uma prova de que costuma exercitar, diariamente, o dom da paciência com o embalo do mar. (Rachel)

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~ por amnasianow em janeiro 17, 2009.

6 Respostas to “Um singalês”

  1. Arrasou… Que lindo hein? E a foto ficou linda de morrer, gostei mais que a minha do calendário…
    Boa viagem!

  2. simplesmente demais !!!!

  3. Emocionante amiga. Você é minha jornalista preferida!

  4. Obrigada, irmones!!!

  5. Valeu, Pim e Leo!

  6. Rach, obrigada, amiga! 😉

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