A primeira impressão é a que não fica

marionete

 

Na primeira vez que eu vi o Orgine, o motorista que nos levou a Pokara e com quem passaríamos os cinco dias seguintes, nosso santo não bateu. E eu fui praguejando pela estrada que não voltaria com ele ao volante nem por decreto a cada ultrapassagem louca que ele fazia. Calado e sério, ele não esboçava um sorriso, o que só piorava tudo.

 

Prem, que nos levou pelo Vale de Katmandu, parecia um insensível no primeiro dia. Incapaz de mudar o tom de voz ao mostrar os templos mais importantes do país. Mal respondia às nossas perguntas. E sempre estacionava o carro antes de chegar mais perto de cada lugar.

 

Quando fomos apresentados ao Ganesh, que seria o nosso guia no trekking, ele deu um aperto de mão e só abriu a boca para conversar em nepali com o sócio da agência que tinha organizado a caminhada. Detalhe: ele tinha ido até o café só para nos conhecer.

 

Nossa experiência no Nepal serviu para nos mostrar que tudo tem o seu tempo.

 

Orgine não podia nos ver que tinha acessos de riso a partir do segundo dia. No terceiro, ajudou a me carregar escada acima para ver o sol nascer. E no último já imitava o meu jeito manco de andar para todo mundo ver. Sentados num terraço em Bodhnath, Prem nos contou com orgulho dos três filhos que tem, das experiências de morar 13 anos na Índia e de como está feliz por seu filho do meio, de 16 anos, ter decidido estudar ciências. Nos ganhou de vez quando sacou o celular em Nagarkot e filmou, emocionado, cada pedacinho das montanhas nevadas no nascer do sol. Ganesh acabou indo fazer o trekking com outras pessoas, mas não poupou detalhes quando nos encontrou na volta, em Pokara. Foi super atencioso (descobriu o nosso quarto no hotel e foi logo saber como eu estava), se divertiu vendo um jogo de futebol com o Marco e voltou com a gente até Katmandu.

 

Quinze dias depois de pisar pela primeira vez no Nepal, eu entendi que o tempo de cada pessoa não faz dela melhor ou pior. E quando a Rinku, a recepcionista do nosso hotel, saiu para se despedir pendurando uma faixa branca no nosso pescoço “para dar sorte e proteger na viagem”, eu senti que estava conhecendo um outro tempo. Eu não queria ir embora. (Rachel).

 

 

Anúncios

~ por amnasianow em dezembro 24, 2008.

6 Respostas to “A primeira impressão é a que não fica”

  1. Rachel. Adorei o texto. … E quando a Rinku, a recepcionista do nosso hotel, saiu para se despedir pendurando uma faixa branca no nosso pescoço “para dar sorte e proteger na viagem”, eu senti que estava conhecendo um outro tempo. Eu não queria ir embora… Essa parte chegou a me emocionar. “Um outro tempo”… é isso aí. Quizera eu conhecer esse tempo. A foto do Marcantão, de quem sinto saudades, p/ variar é demais. Sombra e luz se completando. O máximo. Mandei o end do blog de vcs p/ um amigo músico. O nome dele é Thiago e toca sax.
    Para vcs um 2009, nem preciso dizer, repleto de boas e enriquecedoras experiências. Bjks pros dois. Márcia

  2. Quisera eu.

  3. Márcia, fiquei emocionada. Muito obrigada! Um excelente ano novo para você também, com a promessa de que a gente vai se conhecer! Legal a indicação do nosso blog para o seu amigo. 🙂 Um super beijo.

  4. Que texto lindo Rachel… Parabéns!
    Fiquem com Deus!

  5. Josy e Guilherme, muito obrigada! Um grande beijo.

  6. Oi, estava procurando na internet sobre Bagan e achei o Blog de vcs. Parabéns pelo blog, tem fotos muito lindas e textos muito legais! Estou morando em Myanmar há pouco tempo e achei essa frase perfeita, “A primeira impressão é a que não fica”. Fiquei pensando se vcs não tem dicas sobre lugares legais por aqui para gente conhecer.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: