Sacudindo a poeira

Acostuma-se a tudo nesta vida. Depois de 40 dias de Índia, eu já estava acostumada a lençol encardido, toalha manchada, cortina furada, canto de banheiro marrom e uma camada de pó em cima de tudo – de mim, inclusive. Já estava na fase de tratar barata que nem mosquito e nem ligar para uma aranha, do tamanho da palma da minha mão, no trem (ok, pro rato que ficava zanzando pelo meu vagão eu liguei, sim – embora ninguém tenha me dado a menor bola e eu tenha tido que engolir a tiração de sarro de um indiano gordo que ria da minha cara e mostrava para os amigos, com os dedos, o tamanho do animal. Como se isso tivesse alguma importância). Pior: eu nem me dava conta de que já tinha me acostumado a tudo isso. E se talvez eu não tivesse sido lembrada da existência de edredons fofos e brancos, de banheiro que não alaga, de carpete limpo, de faxineira para arrumar o quarto todo dia e de copo bem lavado assim que pisei em Katmandu, no Nepal, eu ainda estivesse achando tudo normal. O consolo? Acostuma-se a tudo nesta vida. Já, já a Índia está de volta. (Rachel)

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~ por amnasianow em dezembro 7, 2008.

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