O Everest é o limite

imgp24002.jpgQuando cheguei sem barba no Rum Doodle percebi logo que a gente estava alguns níveis abaixo. Mais ou menos uns 8 mil metros. As pessoas ali são montanhistas que, antes e depois de encarar o Everest, tomam muitas cervejas para comemorar a subida ou a descida. Curiosamente todos os homens têm barba, acho que para sair na foto da conquista com pedaços de gelo grudados nos pelos da cara (é uma cena que sempre me chamou a atenção). O Rum Doodle, em Kathmandu, no Nepal,  também tem outra característica curiosa: qualquer pessoa que tenha atingido o cume do Everest não paga a conta pelo resto da vida. Tudo num ambiente com muita fumaça e cheirando a cerveja choca, o que tira qualquer idéia natureba desses seres estranhos. Sir Edmund Hillary, o primeiro homem a conquistar o pico mais alto do mundo, era cliente da casa. Enquanto lia tudo isso no cardápio, um rato passou embaixo da mesa. E era assim que a gente se sentia, um rato tentando encontrar uma saída no meio de seres superiores. A Rachel, por exemplo, tem uma fobia de altura que torna impossível subir uma escada sem corrimão (e eu uso isso para justificar a preguiça). Mas nada que 10 Carlsbergs não resolvessem. Uma banda de nepaleses, todos com olhos puxados, tocava de Elvis a Beatles e abriu a pista com “Come Together”. Foi a senha, pelo menos para um casal que deve ter escalado o Everest pela primeira vez em 1920, mostrar toda a sua capacidade aeróbica.
Era aniversário da Rachel e ela já namorava uma vodka na prateleira perguntando se não tinha Red Bull naquele bordel, afinal ela fazia aniversário, porra! A situação era tensa e o melhor era se juntar ao casal animadinho. Minutos depois, uma legião de senhores e senhoras de Gore-tex rebolava na pista. Como a gente não conhecia ninguém, ficamos por ali, no meio de veteranos altos, magros e com barba, dando mochiladas em quem passasse por perto.

Quando já não dava mais, voltamos cambaleando pelas ruas do Thamel, o bairro mochileiro de Kathmandu, tirando os méritos de quem conquista o Everest. Uma bobagem que qualquer um pode fazer, fala a verdade…

(Post comemorativo dos 33 anos da Rachel)

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~ por amnasianow em dezembro 5, 2008.

4 Respostas to “O Everest é o limite”

  1. hahahahahaha…muito bom! E até lembra as vezes sem conta em que também subimos à Serra da Estrela por aqui! Grande viagem. Bom de ver e de ler. Bem melhor que muitos livros que tenho por aqui nas prateleiras. Acho que no fim isso vai dar mesmo um livro. E eu quero o meu com dedicatória. beijos e abraços

  2. Parabéns pelo aniversário e melhoras para o pé.A viagem ta muito boa.
    Beijos.
    Xandi,Carol e Felipe

  3. Vasquito, quanta honra! 🙂 Outros beijos e abraços!

  4. Xandi, Carol e Felipe, muito obrigada pelos parabéns! O pé está cada dia melhor! Muito bom vcs estarem com a gente nesta viagem! Beijos.

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