Nos braços do povo

povo

Vou confessar que cheguei na Índia com um pé atrás. Me preparei psicologicamente, com a faca nos dentes, para encarar o dia a dia nas ruas. Desci no aeroporto de Délhi como provavelmente um turista estrangeiro chega no Brasil, com mil recomendações para não cair em armadilhas. Algumas foram úteis, mas depois de um mês na Índia essa idéia me faz sentir meio idiota. As roubadas existem, é claro, mas tudo é facilmente contornável quando você vai se acostumando. Acho que com o tempo a pessoa ganha uma camada protetora de qualquer coisa (poeira?). Os vendedores já não te abordam com tanta firmeza, os caçadores de turistas já não te consideram como uma possibilidade. Ou então é você que aprende a ignorar tudo isso da forma certa e ninguém se ofende. Agora já é possível separar o bom dia verdadeiro de um bom dia como promessa de compra. O povo indiano me surpreende a cada dia. São amáveis, educados, leves, alegres, hospitaleiros, abertos, ligeiramente espaçosos e curiosos demais, o que deixa tudo mais divertido. Em um mês não me senti ameaçado uma única vez, apesar do equipamento dando nas vistas. Nenhum olhar torto, nenhuma resposta dura, nenhuma cara feia, não vi uma discussão mais exaltada. Qualquer situação delicada pode ser resolvida com um sorriso. É mais forte que eles. Até a abordagem mais insistente pode ser quebrada com um obrigado e um sorriso. Algumas intimidades que você levaria meses para conversar com um europeu, na Índia bastam 15 minutos. Eles vão direto ao assunto, querem saber quem você é, o que você faz e quanto você ganha, se é casado, se tem filhos e se é feliz. E querem saber mesmo. O melhor é que você pode retribuir a intromissão e saber quanto ele ganha, se a mulher é bonita e quanto custou o seu camelo (em média 26 mil rúpias, ou 1300 reais). Até as relações comerciais, depois de quebrado o gelo, costumam desandar para a camaradagem. Dois dias atrás precisamos comprar uma passagem de Jaisalmer para Jaipur e o motorista do rickshaw levou um tempinho até topar o preço de 80 rúpias de ida e volta para a estação. Fez questão de deixar claro que a cada 10 minutos de espera eram mais 10 rúpias, além da corrida. A firmeza foi ficando pelo caminho e na estação ele já era um amigo tentando furar a fila e se revoltando com a demora do guichê. Duas horas mais tarde, nos levou de volta para a cidade e aceitou com a melhor cara do mundo 120 rúpias como pagamento. Só faltou pedir desculpa pela fila da estação. (Marco)

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~ por amnasianow em novembro 25, 2008.

4 Respostas to “Nos braços do povo”

  1. gente, que taxista legal e bonzinho né? Parecem os daqui de BCN, ou os de Lisboa, que sao MAIS legais ainda… rsrsrs

  2. Tudo bem com vcs aí?

  3. na verdade era sobre os atentados… tudo bem?

    E não é q o bicho ainda escreve bem? : )

  4. hahahaha poeira!

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