As surpresas do caminho

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Foi numa tarde poeirenta em Pushkar que tomamos uma daquelas decisões aparentemente sem nexo. “Vamos a Bundi!” Uma cidade pequena para onde a estrada era péssima, os ônibus eram horrendos e os trens que chegavam até lá só partiam de lugares ainda mais esdrúxulos. Precisávamos ir a Bundi, que nem está em todos os mapas, sabe-se lá por quê. E fomos, num táxi que demorou quatro horas, com um motorista sugestivamente chamado “Om”, que de zen tinha quase nada (e ainda reduzia a velocidade para cuspir a cada 300 metros).

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Começamos a entender o que tinha nos levado até lá ainda da estrada: um forte do século 14 que sobe desafiadoramente pela montanha, com paredes ocre que pareciam renda, de tão trabalhadas. E continuamos a entender cada vez mais, à medida que o tempo ia passando. O lago, decorado por um coreto singelo. O palácio do século 17, com uma imponente porta coroada por impressionantes elefantes esculpidos em pedra. A “zenana” do palácio (a área reservada às mulheres), com belíssimas e bem conservadas pinturas hindus, que o zelador me explicava detalhada e pacientemente.

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Bundi não é tão turística quanto outras cidades do Rajastão, e a vantagem é que podemos ver tudo isso sozinhos. Mas o melhor de Bundi são as pessoas, que dizem “namastê” sem querer vender nada em troca e “hello” só para te cumprimentar mesmo, uma raridade. 🙂 “Fiquem para ver a nossa festa, é uma sorte já estarem aqui!”, disse o moço do café na entrada do palácio. E ficamos. Uma, duas, três noites.

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A festa começou com uma cerimônia em homenagem a Ganesh (o deus elefante) aos pés do palácio, e seguiu com uma procissão de cores puxada por um elefante pintado especialmente para a ocasião, com direito a banda, dançarinos, cavalos e camelos. Lá pelas tantas dois meninos de uns 8 anos, de uniforme e gravata, seqüestraram o Marco – queriam, a todo custo, que ele fosse conhecer a sua escola naquele momento. E o desfile rolado… Ele foi. Viu a sala, o pátio, a professora. E voltou para me buscar. Não tivemos tempo de jantar na casa da professora, como ela queria. Mas ficamos para ver as crianças, com pequenas lousas nas mãos (os cadernos) e sentadas no chão, recitando poemas, cantando e dançando. Precisar, nem precisava. Bundi já tinha sido a grande surpresa. (Rachel)

 

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~ por amnasianow em novembro 17, 2008.

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