Délhi é legal

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A nossa visão de Délhi estava resumida ao dia da chegada na Índia. Um dia cansativo onde fomos apresentados à sujeira, à poluição, ao trânsito caótico e à pimenta. Depois de 12 dias no Ladakh, era hora de enfrentar a cidade de frente. Seriam mais 2 dias, onde o primeiro foi mais uma vez perdido com burocracia de passagens e vistos.

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Para evitar um stress desnecessário e que ia nos deixar para sempre com uma idéia negativa da cidade, resolvemos contratar um taxista através da nossa guest house para passar o dia inteiro rodando a cidade. Foi perfeito. Pelo preço de uma corrida de táxi numa cidade grande da Europa, andamos das seis da manhã às oito da noite. O nosso motorista era um gentleman. Parecia que a cidade inteira trabalhava a uns três níveis acima. Falava baixo, dirigia devagar, sempre tranquilo, ou seja, era muito mais educado do que eu.

 

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Ele não falava muito bem inglês e, como eu também não (meu nível não vai além do segundo livro do CCAA, com aproveitamento baixo), a sintonia foi perfeita.

Falamos de tudo: da vida dele, da minha vida, da Índia, da sua cidade, do tempo. Era muçulmano, de Dharamsala, e leva 50 minutos para ir da sua casa ao centro. É lógico que alguma informação pode ter saído truncada, tipo ele só leva 15 minutos até o centro e tem horror dos muçulmanos, mas isso eu nunca vou saber. Seu único defeito era diminuir ainda mais a velocidade para mostrar cada prédio público da cidade: aqui é o Ministério da Irrigação, aqui o Departamento de Relações Interestaduais do Sul, aqui o Departamento de Água e Esgotos.

 

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O dia estava claro e a primeira idéia de Délhi caiu por terra. Fora do caos da cidade velha, as avenidas são largas, arborizadas e existem dezenas de parques, que com um pouco menos de poluição seriam bem agradáveis. Fomos pela manhã à Jama Masjid (a maior mesquita da Índia) para esperar o sol nascer. Depois de 40 minutos descobrimos que já tinha nascido e estava escondido atrás da poluição (no inverno, a inversão térmica é pior que a de São Paulo), uma bola em brasa que mal iluminava a cidade.

 

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Em seguida fomos ao Forte Vermelho, ao monumento funerário de Gandhi, ao arco da Porta da Índia e por último, à Tumba de Humayun. Passamos pela portaria e atrás de um muralha em ruínas a construção apareceu. Era realmente impressionante, valia a visita. Mas a gente estava mesmo querendo gostar de Délhi: a plaquinha indicava que ali era uma outra tumba, menor. Exagerando um pouco, é como se a gente tivesse gostado da bilheteria do Pão de Açucar. Andamos mais um pouco e depois de dois portais enormes a Tumba começou a aparecer ao fundo, entre as arcada de um terceiro portal. Um soco no estômago. Uma coisa gigantesca, que não dava para entender como não se podia ver da rua. As paredes, num tom entre o ocre e o rosa, pareciam ter luz própria. A Tumba é o primeiro edifício com influência persa na Índia e serviu de inspiração para a arquitetura do Taj Mahal. Saí dali com a impressão de que se o Taj Mahal não for muito mais impressionante ao vivo eu fico com o que deu origem à série. Pelo menos a imagem é menos batida. 🙂 (Marco)

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~ por amnasianow em novembro 11, 2008.

Uma resposta to “Délhi é legal”

  1. Olá, Marco e Rachel.
    Primeiramente, parabéns pelo blog.
    Eu e meu marido vamos fazer uma pequena viagem pela Índia e Nepal. Como seu comentário, Marco, me deu uma boa impressão, poderia indicar a Guest House e o motorista de táxi em Délhi? Ou alguma forma de contatá-los?
    Abraços e obrigada,
    Thelma

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