Um pequeno Tibet na Índia

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O Ladakh, oficialmente, é parte da Índia, claro. Mas poderia ser facilmente uma filial do Tibet, que fica logo ao lado, depois dos picos nevados do início da Cordilheira do Himalaia. Para começar, é todo cortado pelas mesmas águas verde-esmeralda do Rio Indo. As pessoas também não parecem indianas: têm o rosto arredondado, as bochechas vermelhas, os olhos puxados. Para qualquer canto que se olhe, as bandeirinhas coloridas de oração lembram que a religião oficial por aqui é o budismo. Todas as casas, todos os carros e todas as lojas estampam fotos do Dalai Lama (que mora também no norte da Índia, em Dharamsala, desde o exílio). E são as gompas (os monastérios) as principais atrações daqui.

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O Ladakh é a maior subregião do estado de Jammu e Cachemira, mas, ao contrário das subregiões vizinhas (a muçulmana Cachemira e a hindu Jammu), é considerada bastante segura – é a única budista, e budista não gosta mesmo de uma briga. “A China é legal, o Paquistão é legal, todo mundo é legal”, resumiu Gurmat, o nosso motorista nos passeios pela região, na maior paz do mundo. A Cachemira, embora ultimamente esteja mais estável, ainda é considerada arriscada para fazer turismo devido aos conflitos constantes entre hindus e muçulmanos (quando menos se espera alguma coisa pode rolar). O Ladakh é a solução perfeita: dá para conhecer esta linda região do norte da Índia sem correr riscos (ainda que militares armados sejam uma constante – é como diz o Lonely Planet: aqui eles estão mais para tapar buracos na estrada do que para qualquer outra coisa; é tudo a maior paz e amor – hoje mesmo eu vi dois deles andando de mãos dadas).

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A principal cidade do Ladakh é Leh, onde é possível chegar de avião. No inverno, aliás, é a única maneira de chegar até aqui, já que as estradas – precárias e perigosas – ficam fechadas por meses a fio por causa da neve. Depois de se aclimatar à altitude que fica em torno dos 3.500 metros (o que leva uns 3 dias; para se ter uma idéia, Quito tem 2.800 metros), é hora de começar a fazer passeios pelos vales escarpados, de provar os deliciosos momos (uns pasteizinhos típicos do Tibet, parecidíssimo com o guioza), de aprender a dizer jule – pronuncia-se algo como “djuley” (o cumprimento típico daqui, que serve para dar as boas-vindas, agradecer, dar tchau…), de retribuir os sorrisos doces dos monges… e de se acostumar com o frio, que nesta época do ano chega facilmente aos -10ºC.

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Escolhemos começar a viagem da Índia pelo Ladakh para chegar mais devagar ao país. Para acostumar a toda a loucura de uma forma mais light. Na verdade não sabemos se isso foi uma boa tática ou não. O Ladakh não é a Índia que conhecemos e muitas vezes tememos. E estamos mais zen do que sempre fomos. 🙂 (Rachel)

PS: Este post foi publicado inicialmente no Viajar Bem e Barato – leia mais aqui.

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~ por amnasianow em novembro 2, 2008.

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