O tal dia de ir embora

•outubro 7, 2009 • 27 Comentários

O tal dia de ir embora tem um efeito apocalíptico pré-anunciado. Há dias que o mesmo filme passa na cabeça 24 horas por dia, sem seleção de cenas, sem cortes, sem pausa. O menino compenetradíssimo no circo mambembe de Pushkar, na Índia. Os Annapurnas cobertos de neve se revelando ao nascer do sol no Nepal. Os pescadores se equilibrando em pernas de pau no Sri Lanka, ou em canoas minúsculas no Myanmar. A noite ao ar livre no deserto de Thar. A ronda das almas em Luang Prabang, quando centenas de monges caminham descalços pelas ruas ao amanhecer. As viagens de trem sem fim pela secura do Rajastão, pela China em construção, pelas montanhas cobertas de chá do Sri Lanka. Os passeios de charrete pelos templos de Bagan; de cavalo pelas estepes da Mongólia; de bicicleta pelas ruínas de Angkor; de moto-táxi pelos campos de arroz do Vietnã; de tuk tuk por Bangkok. As dezenas de aeroportos, rodoviárias, estações e portos que dividimos com gente, com vacas, com galinhas, com ratos. O casamento budista no Ladakh. A cerimônia do Odalam em Ubud. As oferendas de manhã, de tarde e de noite em Bali. O chamado das mesquitas no Bornéu, em Lombok e no sul da Tailândia. As procissões fúnebres hindus em Varanasi, rumo às margens do mítico Ganges, onde tudo começa – ou acaba. O silêncio. A calma. A paz. O tempo. E o tal dia de ir embora. (Rachel)

Dunas na província de Bulgan, Mongólia

Dunas na província de Bulgan, Mongólia

Lago Inle, Myanmar

Lago Inle, Myanmar

Ilhas Similan, Tailândia

Ilhas Similan, Tailândia

Tuk Tuk em Angkor Wat versão masculina, Camboja

Tuk Tuk em Angkor Wat versão masculina, Camboja

Tuk Tuk em Angkor Wat versão feminina, Camboja

Tuk Tuk em Angkor Wat versão feminina, Camboja

Trabalhando no amanhecer, templos de Bagan, Myanmar

Trabalhando no amanhecer, templos de Bagan, Myanmar

Trabalhando no pôr do sol, deserto de Gobi, Mongólia

Trabalhando no pôr do sol, deserto de Gobi, Mongólia

Espantando o calor Phnom Penh, Camboja

Espantando o calor Phnom Penh, Camboja

Esperando o ônibus em Yangon, Myanmar

Esperando o ônibus em Yangon, Myanmar

Um chinelo pra cada, Bagan, Myanmar

Um chinelo pra cada, Bagan, Myanmar

Novas amigas, Bagan, Myanmar

Novas amigas, Bagan, Myanmar

Trabalhando mais um pouquinho, Mongólia

Trabalhando mais um pouquinho, Mongólia

Enquanto o outro trabalha..., praia de Ulu Watu, Bali

Enquanto o outro trabalha..., praia de Ulu Watu, Bali

Bonequinho do Jequitinhonha de ressaca, 1 de janeiro de 2009, Ilhas Andaman

Bonequinho do Jequitinhonha de ressaca, 1 de janeiro de 2009, Ilhas Andaman

Sim, isto é uma saia, Yangon, Myanmar

Sim, isto é uma saia, Yangon, Myanmar

Atração turística, Tsetserleg, Mongólia

Atração turística, Tsetserleg, Mongólia

Esperando pela próxima

Esperando pela próxima

Nossa foto dos outros

•outubro 7, 2009 • 5 Comentários

Em vários momentos desta viagem a gente se transformou na atração. Acontecia mais quando a gente estava no interior ou em países mais isolados. Geralmente funcionava assim: você estava parado e a pessoa começava a se aproximar como quem não queria nada. Mais um pouco e ela já estava encostada, como se você fosse uma estátua de um palácio. Você olhava para trás e se deparava com um fotógrafo cauteloso controlando a posição do modelo para roubar a imagem. Era a deixa para eles esquecerem a vergonha e te pedirem  para fazer uma foto. Quando você topava, a situação perdia o controle. Começava a brotar amigo, amigo do amigo, parente… E a foto logo se transformava num acontecimento. E como naquelas fotos oficiais, era engraçado ver como as pessoas endureciam e se carregavam de formalidade, sem nem mover os olhos. Aproveitamos alguns destes momentos e demos as nossas máquinas para ter a nossa foto também. Aqui vai uma pequena amostra.

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Última parada: Kuala Lumpur

•outubro 7, 2009 • 2 Comentários

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Kuala Lumpur, a capital da Malásia, acabou se revelando o destino perfeito para encerrar a viagem.  Assim como Cingapura, é uma bela mistura de indianos, malaios e chineses, com a diferença de que, aqui, o clima é de Ásia mesmo – apesar das inúmeras tentativas do governo em tornar a coisa mais organizada.

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Kuala Lumpur não é tão limpa. Kuala Lumpur não é tão organizada. Kuala Lumpur não é tão moderna. Os arranha-céus e torres hi-tech contrastam com mercados ligeiramente tumultuados, becos ligeiramente sujos e uma certa desordem étnica que te faz perder um pouco a referência. Por estar num país muçulmano, a capital malaia ainda atrai um grande numero de turistas do Oriente Médio, o que faz a confusão ficar maior. E melhor.🙂

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É justamente esta mistura de tudo ao mesmo tempo agora que deixa Kuala Lumpur tão perfeita para a nossa despedida. Depois de um ano de viagem é engraçado andar pela rua e ter que controlar o impulso de cumprimentar uma indiana que passa de sári como uma velha conhecida. Uma espécie de cumplicidade. A mesma cumplicidade que tem feito a gente se envolver tanto com as notícias de terremoto na Indonésia, furacões no Vietnã ou enchentes na China. A Ásia é um vício.

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Dia da merdeka

•outubro 7, 2009 • Deixe um comentário

O dia da merdeka é feriado nacional. Na Malásia e na Indonésia. O responsável pela merdeka é herói nacional, e em várias cidades existem estátuas em sua homenagem. Desde cedo as crianças aprendem na escola o valor da merdeka. No passado, várias pessoas chegaram a dar a vida por ela. O dia da merdeka é o dia da independência. Viva a merdeka! (Marco)

Mercado Mundo Livre

•outubro 7, 2009 • 1 Comentário

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O nome da estação não deixava dúvidas: China Town. Mas entre lanternas vermelhas, casas de chá e lojas de hashi, quem fazia barulho mesmo eram uns homens de sarongue e umas mulheres de sári, que entoavam mantras e se enfileiravam com oferendas na cabeça, acendiam incenso e jogavam pétalas de flores num altar prateado psicodélico improvisado na carroceria de um caminhão. Indianos, claro.

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Logo depois pegamos o metrô e desembarcamos em Little India. Mais um nome de estação que dispensa GPS. Mas não é que, entre milhares de luzes, mercados de especiarias e cheiro de curry, o espetáculo era dos chineses? Um dragão enorme desfilava pelas ruas liderando uma procissão que terminava com homens se auto-flagelando, com enormes bastões de ferro atravessados pelo corpo (principalmente nas costas e nas bochechas).

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Cingapura, um dos menores países do mundo, ocupa apenas uma ilha e ilhotas adjacentes entre a Indonésia e a Malásia e é uma misturança étnica deliciosa. Entre indianos e chineses há ainda os malaios. Juntos, esses três povos que somam quase 5 milhões de pessoas ocupam aquela que é a terra mais esterilizada de toda a Ásia (e que só se tornou independente do resto da Malásia em 1965, depois de ser durante anos colônia britânica).

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Cingapura é milagrosamente limpa. Meticulosamente organizada. Inexplicavelmente acética. Um mar de arranha-céus modernosos e shoppings de grife onde tudo funciona. Ainda bem que existem os bairros étnicos para provar que nem todo o racionalismo planejado do mundo é capaz de modificar o DNA mais profundo dos asiáticos de verdade e de coração. (Rachel)

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A matemática do paraíso

•outubro 3, 2009 • 10 Comentários

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3
É o número de ilhas Gili, nos arredores de Lombok. E também o preço da caipirosca (em reais) por lá.

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0
É o número de carros que circulam nelas.
Ou motos.
Ou tuk tuks.

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300
É o número de habitantes da menos habitada das três ilhas (seis vezes menos do que a mais habitada).

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60
É o número de minutos que se leva para dar a volta completa na menor delas. Ou o tempo que se fica debaixo d’água num mergulho entre tartarugas, tubarões e nemos.

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5
É o numero de vezes que soa o chamado das mesquitas muçulmanas das três ilhas, duas delas de madrugada. E também a hora que o sol começa a se pôr.

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15
Foi o número de noites que passamos por lá, tempo suficiente para esquecer, pela primeira vez na viagem, qual era o dia da semana. (Rachel)

Lições de marketing nas ilhas Gili

•outubro 3, 2009 • Deixe um comentário

“Quando os turistas começaram a chegar em Gili Meno, uns 15 anos atrás, eu vinha de Lombok para cá vender abacaxi. Trazia dez por dia. Comprava por 250 rúpias, vendia por 1.000. Depois comecei a vender por 2.000 – e a trazer só cinco. Hoje em dia eu só vendo quando dá vontade.”
Luia, indonésia, muçulmana, 33 anos, que não tem mais preço fixo (mas nunca cobra menos de 15.000 rúpias pelo abacaxi).